A calvície é uma doença de herança genética, perceptível a partir da adolescência. Seu nome científico é alopecia androgenética, e trata-se da queda de cabelo de forma intensa, sem o nascimento de novos fios. Apesar de não ter cura, a condição possui algumas soluções.
50% dos homens são atingidos pela doença, segundo pesquisa da OMS (Organização Mundial da Saúde). Apenas no Brasil, a calvície atinge 42 milhões de pessoas, conforme dados da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).
“Antes de tudo, a pessoa tem a predisposição genética. Mas é claro que estilo de vida impacta né? Sono, dieta, estresse… tudo isso faz a calvície aparecer mais cedo e de forma mais grave”, explicou a dermatologista Débora Cadore, especialista em doenças capilares.
De acordo com a médica, existe uma influência dos hormônios androgênicos, que tanto mulheres como homens têm — entretanto, a falta de cabelo costuma ficar mais aparente em pessoas do sexo masculino. Por ser hormonal, as mudanças começam a aparecer especialmente na fase da puberdade, se intensificando ao longo da vida adulta.
É possível piorar a condição?
De acordo com a médica, uma vez que se tem histórico familiar da doença, diversos fatores podem piorar a falta de cabelo. A alimentação é um fator crucial para o enfraquecimento dos fios, seja por ser uma dieta muito pobre em antioxidantes, em proteínas, ou mesmo uma dieta muito restritiva.
Emoções também podem impactar na queda e nascimento do cabelo. “Não é a causa em si, mas o estresse piora, ou deixa a calvície ainda mais grave”, conta a dermatologista.
Calvície tem solução?
A alopecia androgenética é uma doença, conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), tendo o código CID L64. Apesar de costumar ficar visível de forma rápida, existem exames que fazem o diagnóstico antes dessa condição. Um dermatologista ou um médico especialista em doenças do cabelo pode examinar o paciente, junto com seu histórico hospitalar.
Não tem cura, mas tem solução. O diagnóstico precoce é a melhor opção, feito ainda na adolescência ou no início da vida adulta, pois pode retardar a evolução da doença. Débora Cadore afirma que o uso de medicamentos costuma ser eficaz, tanto para bloquear o receptor da calvície, como para prolongar a fase de crescimento dos fios.
Minoxidil costuma ser o principal remédio de uso doméstico. Ele estimula o crescimento capilar e engrossa os fios, prolongando a fase de crescimento do cabelo. Apesar disso, ele deve ser usado somente sob orientação médica devido às diferentes formulações e possíveis efeitos colaterais.
Laser e microagulhamento também são opções de tratamento que costumam ser eficazes para a calvície. “Hoje em dia, a gente tem várias opções, como com células tronco de gordura para fazer crescer novos fios, ou com células do próprio sangue do paciente. A ciência tem até tratamentos de consultório, com injeções no couro cabeludo, que param o afinamento capilar”, comentou a especialista.
Transplante capilar é uma opção
Segundo a dermatologista, o procedimento resolve temporariamente a queda de cabelo, porém não impede a progressão da doença. “Algumas pessoas fazem vários transplantes capilares durante a vida, porque você faz a cirurgia, mas vai continuar com o gene da doença. Então, clinicamente, terá que manter o tratamento.”
A calvície é uma doença progressiva, então lentamente a pessoa vai perdendo fios de cabelo de outras regiões, que antes não caíam, ficando só com os fios implantados.
“O tratamento cirúrgico é uma boa opção para casos mais avançados, mas fazendo um acompanhamento, muitas vezes você consegue evitar isso, até porque existem tratamentos clínicos que fazem o recrescimento capilar”, afirma a especialista.
